O meu filho não “descola” da consola

Consola, computador, tablet… O seu filho é viciado em jogos de vídeo e passa constantemente de um monitor para o outro. Este excesso é insuportável e você preocupa-se. Como ajudá-lo a desligar-se disso?

“A utilização ‘excessiva’ de videojogos pelas crianças raramente é considerada uma patologia. Pelo contrário, é um mau hábito que a educação pode corrigir”, sublinha Serge Tisseron*. “Em vez de lutar contra este passatempo agora incontornável, e face às capacidades que a escola implica (estratégia, criatividade, cooperação), é melhor ensinar a criança a dominar esse hábito para que ele não a domine”.

 

  • Ensine-o a autorregular-se

Estabeleça com ele os “momentos de lazer eletrónicos” – cerca de uma hora e meia por dia – e verifique se ele os respeita. Se ele jogou uma hora na consola, poderá ficar ainda meia hora a ver televisão.

O trabalho escolar deve ser tido como uma prioridade e deve evitar-se jogar à noite para não interferir com o sono. “Não é o jogo em si que excita, mas o ter de assentar sem cumprir a sua descarga de emoções”, diz o psiquiatra, “assistir a um jogo de futebol tem o mesmo efeito”.

As necessidades de sono de crianças são muito importantes. Para evitar a tentação, não devem ser permitidos os computadores no quarto e deve-se desligar o Wi-Fi à noite. Todos, inclusivamente os adultos, também podem deixar o seu telefone e/ou tablet na cozinha antes de ir para a cama…. Os aparelhos ‘domesticam-se’ em família.parents-need-mobile-device-management-too

 

  • Proponha outras atividades

O tédio, a facilidade e algum isolamento podem explicar essa paixão. Leve-o ao cinema ou à piscina, jogue ténis com ele, ou até mesmo jogos de tabuleiro, convide seus amigos com mais frequência (mesmo que eles joguem videojogos, é diferente, não está só).

É importante que ele vá descobrindo outras fontes de prazer, expandindo o seu círculo de amizades, desenvolvendo outras competências criativas (e sociais), partilhando mais com seus pares e com a família. “Alternar atividades atrativas e diversificadas é mais importante do que tentar evitar a utilização excessiva dos videojogos, pois promove um desenvolvimento mais harmonioso”, diz Serge Tisseron. Isto implica alguma disponibilidade dos pais, mas conduz ao prazer do convívio e da partilha.

 

  • Acompanhe-o nos seus jogos

Nada impede, por outro lado, de acompanhar o seu filho no seu “terreno” favorito. Pergunte sobre seus gostos (porquê o Minecraft em vez do The Sims?), Observe as suas reações durante o jogo, incentive-o a relatar o jogo de forma a mobilizar a sua capacidade narrativa. O valor que você dá ao passatempo favorito dele vai impressioná-lo e vai permitir que o guie nas suas escolhas com conhecimento de causa, desenvolvendo nele competências de pensamento crítico.

E, se você jogar com ele, partilhará os risos sublimes da diversão.

 

 

Tradução e adaptação do artigo original “Mon enfant ne décolle pas de sa console” de Anne Lanchon

*Serge Tissero é o autor de « 3-6-9-12, apprivoiser les écrans et grandir » (Érès Éditions, 2013) e o criador do website Apprivoiser les écrans. Ele aborda o tema da criança face aos monitores  no website Digital Society Forum.

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Publicado em Adolescência, Crianças, Dicas, Educação, Pais e Filhos, Partilhas, Psicologia, Tecnologia